Vou inventar algo que não bate. E sairei por aí, em alta velocidade, ouvindo Chico, João Gilberto, a delícia do piano de João Donato, a indescritível harmonia de Jobim, e a voz de Milton, incomparável.
Vou inventar algo que não me deixe ouvir os roncos dos ônibus, o barulho das motos, os freios fricativos de carros sem manutenção.
E sairei andando nas ruas ouvindo os pássaros, fazendo a segunda voz com o melro, tão incomum nem nossos dias.
Prestarei atenção no bem-te-vi para dar-lhe “bravo” em cada expressão natural de seu canto. Vou inventar algo que mude a arrogância dos homens. E em cada rosto colocarei um sorriso e em cada voz um agradecimento, um olá, um cântico sereno... E ao entrar no elevador farei com que todos se cumprimentem, todos se olhem, todos se alegrem, todos se ajudem a ocupar o espaço físico com elegância e educação. Ao me dirigir ao caixa do Banco ele irá exclamar que hoje é o seu melhor dia e eu responderei: assim é! Ao ir à repartição pública, o bem servir será o lema e a prática dos funcionários, porque o poder público se interessou em bem remunerá-los e a tratá-los como verdadeiros colaboradores.
Vou inventar poderes novos, onde existam a harmonia entre eles, boa fé, desejo de servir e de não se locupletar com a autoridade que o povo lhes conferiu.
Vou inventar uma gente nova, diferente, próspera, ansiosa por ajudar, em estudar, em crescer no conhecimento, em não ser servil, em não querer levar vantagem em tudo, em saber seus direitos e cumprir suas obrigações.
Vou inventar caminhos novos para se perseguir, pela cidadania, pela justiça, pela verdadeira liberdade.
Vou inventar um novo amor, para todos poderem usufruir o direito de serem felizes.
Vou inventar tantas coisas que o Professor Pardal se sentirá vazio de idéias, não poderá projetar novos sonhos, porque todos eles já estarão em nossas mentes, sendo realizados em nosso viver diário.
Há! Há! Mas, cuidado, porque isso também é uma deliciosa invenção de um sonhador!!
Ricardo Macedo dos Santos
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