Tímida reflexão de um minuto
Pensando na vida deparei com a imortalidade.
Pensando na vida deparei com a busca da felicidade.
Tímida reflexão de um minuto.
Feliz mortal ou imortal infeliz?
Transição e complexidade – desamarras da espiritualidade.
Comunicação que garante conforto – reencontro... não aqui, mas lá!Porque lá?
Quando é permitido acontece aqui! Aqui? Mas não era só lá?
Tímida reflexão de um minuto – adeus!
Ou melhor – até breve?
Evolução do sentimento.
As ligações e intenções não se libertam só pelo conhecimento,
principalmente quando a fé e a crença são menores que a dor.
Dor que dilacera e nos hipotetizam.
Há afinidade e sintonia para os que habitaram o mesmo sobre nome.
A psicografia contava o segredo confidencial.
E agora como duvidar?
Pensando na vida deparei com a imortalidade.
Pensando na vida deparei com a busca da felicidade.
A tímida reflexão de um minuto ficou cara a cara com um bem estar – seria alegria infinita?
Mas aqui? Não seria só lá? Lá onde?
No fim da vida? No pós morte?
Ãh!
Lá na plenitude! Onde ser velho em plena juventude, é amadurecer.
Pensando na vida deparei com a necessidade da educação
Pensando na vida deparei com a filosofia
Pensando na vida deparei com o entendimento vindo ao longo das décadas
Pensando na vida deparei com a busca dos Gregos, dos Helênicos, dos Romanos.
Pensando na vida transitei pela idade média, pelo renascimento, pela idade moderna e vim para aqui na contemporânea.
Pensando na vida discuti com Platão, Sócrates, São Tomás de Aquino, Francis Bacon, Friedrich Nietzsche, Georg Wilhelm Friedrich Hegel, Karl Max, Michel Foucault, Eduardo Abranches Soveral e nesse semestre que já ronda minha vida universitária discutirei com o Renato Nunes Bittencourt o que é identidade.
Pensando na vida deparei com a imortalidade
Pensando na vida deparei com a busca da felicidade.
A tímida reflexão de um minuto, já foi, mas parece que durará a eternidade.
Marcelo Zaly
07/02/2013
Língua Afiada
O objetivo é divulgar produção de textos em que a língua, com toda sua polissemia, possa exercer a criatividade necessária à poesia. Participantes: todos os ex-alunos da Faculdade CCAA que quiserem compartilhar esse espaço.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
CARGA EMOCIONAL
CARGA EMOCIONAL
Pautar, pesquisar, apurar.
Perseguir, envolver, separar emoções.
Ora me entrego, ora sou pego desprevenido.
O coração acelera diante do que os olhos presenciam.
As pernas me levam a correr.
Mantenho me focado, solicito um ajuste da câmera que eterniza o fato.
Relembro os ensinamentos universitários e dos mestres.
Vivo a realidade fora das salas – Me restituo.
A cena varia: ora é alegre, ora triste.
Ora facilita a reportagem, ora destaca a bondade – ora aflige.
Tragédias, vitórias, conquistas, fenômenos da natureza, lugares que me exige.
Culturas novas em velhos continentes
Culturas velhas de civilizações populares para nossa gente.
Registro, decupo, escrevo as primeiras linhas do texto.
Produzo tudo com o máximo de oito linhas para re afirmar os ensinamentos.
O lide reduzido traz harmonia e as linhas balbuciam o cenário para contentamento.
A passagem foi um problema no início.
Os títulos nascem das emoções existentes em cada apuração.
A ética extingue os medíocres – o canalhocrata vil que desfigura a profissão tem sorte.
O Ethos é o alicerce do meu ser – quiçá da humanidade!
O maior quesito como princípio é relatar sempre a verdade.
Aspar após dois pontos somente algo realmente importante.
Finalizar os contextos dessa vida de correria com maestria é o nosso vício.
O novo jornalismo é feito por poetas dos fatos – Fatos, alimento nosso de cada dia!
Produtor, Editor, Diretor, Redator
Perseguidor, Informante, Fontes, Investigador
Assessor, Escritor, Operador de mesa, Radialista
Fotógrafo, Câmera man, Apresentador ou Jornalista.
Não importa a posição em campo, o Furo de reportagem é o nosso diamante.
Os meios midiáticos é o nosso esporte mundial.
No ar, na terra, no mar somos insasiantes.
Verdadeiros amantes repletos de carga emocional.
Pré- produção, produção, entrevistas
Internet, jornais, televisão e revistas.
Microfones, papel e lápis, blocos,
Celulares, câmeras, púlpito e gravador.
Ser breve com a informação.
Ter conteúdo claro e explicativo a população.
Ser inovador!
Ter maior agilidade, não importa nossa idade.
Sufismo, Budismo, Catolicismo,
Negros, Brancos, Ricos, Pobres
Espiritismo, Espiritualismo, Política!
Os políticos são o antônimo do jornalismo
Jornalistas procuram as verdades, os políticos usam o sofismo.
Generalizar não é o nosso barato, o mergulho é mais profundo!
O jeitinho brasileiro virou coisa de ratos: “nossas idéias não correspondem aos fatos/ Brasil, quem é que paga pra gente ficar assim?” Porque o tempo, esse não para!
É possível relatar sem brigar?
É possível extinguir toda forma de intolerância?
É preciso morrer para se obter?
É preciso lutar! Mas não com fardas tatuadas pela violência.
“Autoridades incompetentes acham que somos fantoches”
O poder cria monstros.
O jornalismo delata as monstruosidades advindas da ganância.
A carga emocional eriça os pelos da barba rala que não tive tempo de fazer.
“Esse é o nosso mundo O que é demais nunca é o bastante E a primeira vez É sempre a última chance Ninguém vê onde chegamos Os assassinos estão livres Nós não estamos”... “Ninguém consegue perceber”...
- Perceber que repórter que é repórter tem o trabalho intrínseco na alma!
Alma inundada de poesia literária, contada, apurada, redigida em pequenas linhas –
técnicas da escrita jornalística – e verdadeiramente repleta de histórias para serem transcritas.
“Quando me vi tendo de viver comigo apenas e com o mundo...” descobri que não importa o cenário!
Faça chuva ou faça sol, eu preciso dessa adrenalina que vem como um sonho bom e liberta a carga emocional natural dos amantes da profissão.
Nós, os jornalistas!
Marcelo Zaly
07/02/2013
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Resenha: VIDAS SECAS
VIDAS SECAS
A obra Vidas secas, de
Graciliano Ramos, (Martins, 1973) apresenta ao longo do romance, a trajetória
de uma família de retirantes que percorrem a caatinga do sertão nordestino em
busca de uma vida melhor e, principalmente, procuram fugir da seca, miséria,
fome.
Publicada em 1938, sendo os personagens principais, Fabiano, Sinha Vitória, dois filhos, a
cachorra baleia e um papagaio. O romance é marcado como obra regionalista, de denúncia e crítica
social. Em analogia com o sertão do Nordeste Brasileiro.
O próprio título da obra remete o
leitor a um cenário de seca, desde a vegetação, amarela e cinzenta, até o
pensamento dos personagens. A comunicação entre eles poderia ser comparada como
de um “animal”, já que não há diálogo, apenas sons, onomatopeias. O narrador
entra em ação, visto que não há comunicação entre os envolvidos na história.
Como Antonio Candido afirma em seu artigo sobre a obra de Graciliano Ramos:
A partir de personagens quase
incapazes de falar, devido à rusticidade extrema, para os quais o narrador
elabora uma linguagem virtual a partir do silêncio.
(CANDIDO, 1973, p. 104)
Vidas secas surpreende pelo relato objetivo
dessas vidas sem horizontes, sem grandes ambições e por consequência acabam
sendo exploradas por outros homens. Sendo apenas manifesto pela Sinhá Vitória
seu imenso desejo de ter uma cama de lastro de couro, igual a do “Seu Tomás da
Bolandeira”, visto que dormia em cama de varas e por Fabiano o desejo de um
futuro promissor para seus filhos.
É possível perceber a crítica em
relação à sociedade, há o conformismo diante daquela vida em que se encontram,
não desejam evoluir, estão estagnados, acomodados. Sofrem por estarem vivendo
aquilo, mas não tomam a iniciativa de mudar de rumo. A família de Fabiano
apresenta essas características em diversos trechos do livro. Antonio expressa
este pensamento no seguinte fragmento:
Em Vida secas não vemos a
sociedade do alto, nos seus planos e nas suas linhas de movimento coletivo, mas
a surpreendemos na repercussão profunda dos seus problemas, através de vidas
humanas que vão passando, a braços com a miséria, perseguidas por opressões e
sofrimentos.
(CANDIDO, 1973, p. 105)
Não há uma
relação amorosa, conversação, entre pais e filhos, são secos uns com os outros. Sinhá Vitória, desprovida de qualquer
conhecimento, não consegue explicar para seu filho o significado da palavra
inferno e acaba tratando-o mal.
O pequeno afastou-se um pouco, mas ficou por
ali rondando e timidamente arriscou a pergunta. Não obteve resposta, voltou à
cozinha, foi pendurar-se à saia da mãe:
– Como é?
Sinha Vitória falou em espetos quentes e
fogueiras.
– A senhora viu?
Aí Sinha Vitória se zangou, achou-o insolente
e aplicou-lhe um cocorote.(RAMOS, 1973. p. 56)
Já para Fabiano as crianças não
deveriam perguntar sobre acontecimentos ou palavras que tivessem dúvidas,
diante de uma pergunta do filho. É possível perceber tal afirmação no trecho
abaixo:
O menino estava ficando muito
curioso, muito enxerido. Se continuasse assim, metido com o que não era da
conta dele, como iria acabar? Repeliu-o, vexado: - Esses capetas têm ideias...
(RAMOS, 1973. p. 10)
Mesmo Fabiano não tendo um afeto explícito com os filhos, nunca
deixa de pensar neles. Quando foi preso (no capítulo Cadeia) remoia aquele
sentimento de pensar nos filhos, em como iriam ficar com a sua ausência sem luz
e sem sal. Diante disto, é possível perceber a preocupação, que Fabiano tinha
com os filhos, mas não conseguia demonstrar isso a eles, talvez porque nunca
recebeu e, no entanto, não aprenderá a conceder.
Dentre os personagens, a cachorra
Baleia é a mais humana dentro da obra, ironicamente, ela está em todos os
ambientes, expõe seus pensamentos, indagações, sobre a própria família, e por
ser um animal é a que mais pensa durante toda a narrativa, até mesmo quando
morre continua no pensamento da família.
O sertanejo em Vidas secas não é qualificado como sentimental, pitoresco, e sim o
indivíduo que é influenciado pelo meio (seca), em que acaba se transformando em
um “homem-bicho”, diante das condições em que vivem.
Em suma, os personagens passam a vida
inteira lutando para sobreviver já que o ciclo do livro é iniciado com
“Mudança” e finalizado com “Fuga”, diante da seca, são secos, amarelos, duros,
fechados e magros, estão sempre tendo que se locomover de onde se encontram em
face dos acontecimentos que acabam presenciando.
Juliana Aguiar Brando.
Faculdade CCAA, Rio de Janeiro.
REFERÊNCIA
RAMOS,
Graciliano. Vidas secas. São Paulo.
Martins, 1973.
Resenha: AS FASES LINEARES DE VIDAS SECAS
AS FASES LINEARES
DE VIDAS SECAS
O livro Vidas secas, de Graciliano Ramos, relata
a história de uma família de retirantes que está fugindo da seca do sertão
nordestino e representa a prosa de 30, que se
concretizou como o marco na história literária do Brasil e fez parte da segunda
fase do Modernismo. Teve como importância a temática da seca, dos retirantes e
do engenho com características do romance e seu caráter social, econômico e
cultural. Essa prosa se encontrava comprometida com a problemática do país de
um modo generalizada e tinha como intuito encerrar com todos os parâmetros
tradicionais existentes naquela época.
A narrativa
revela a vida sofrida dos personagens no agreste nordestino e caracteriza as
condições de algumas famílias, que por sua vez são miseráveis e dão de si para
mudarem a vida social, mesmo que essas pessoas tenham pouco estudo e
oportunidade na vida.
Nessa obra, o
tempo não é medido sobre mudanças cronológicas, pois presente, passado e futuro
apresentam a mesma perspectiva e a história é linear.
O autor
Graciliano Ramos descreveu essa obra para confrontar com a época, pois esse
fato foi abordado de forma contestadora e indignada. Os problemas de condições
sociais que viviam os habitantes nordestinos, entre a fome, a miséria e a
pobreza pertencente a esse lugar.
O povo
nordestino sempre se caracterizou como um grupo digno de caráter, mas
desprovido de oportunidade de formação escolar, e por isso sem grandes
oportunidades de formação profissional, assim obtendo sempre uma vida obscura e
dilacerada pela pobreza, ou seja, vivem em uma condição desumana.
Mesclando a
história ao decorrer da obra, as figuras de linguagens encontradas são para
atribuir uma aproximação do leitor com a linguagem coloquial de forma que o
entendido da obra fosse relatado com clareza e grande facilitação.
No primeiro
capítulo, a obra de Graciliano é caracterizada pela mudança ocorrente; os sertanejos Fabiano, o pai, Sinhá Vitória, a mãe, os
dois meninos, acompanhados pela cachorra baleia e o papagaio, cruzaram a
caatinga do agreste do sertão, desgastados pela fome, sede, seca e miséria que
se encontravam por essa situação agravante, eles resolveram matar o papagaio
para fazer do animal indefeso um alimento, pois também acreditavam que o
louro era mudo e inútil, pois não tinha uma boa fala devido aos demais
personagens não se expressarem verbalmente.
No quarto
capítulo, Sinhá Vitória demonstra uma desilusão extrema de acordo com a
situação de pobreza e de miséria que sua família se encontrava, cada dia que passava
se tornava mais difícil obter o mínimo de dignidade e de Sinhá Vitória realizar
seu grande sonho que era ter uma cama de couro; sendo essa um dado que evidencia
a humildade e a simplicidade obtida de sua família.
A história do
capítulo nove exprime um emocional característico pela morte da baleia cadela;
ela ficou doente, seus pelos caíram,
as costelas exprimiam uma pele avermelhada, onde manchas escuras convertiam-se
em pus e sangravam. As chagas cobriam-lhe a boca de inchaço, e por esse fato
Fabiano resolver tirar a vida da pobre cadela para que o sofrimento da cachorra
acabasse de uma vez por todas.
O último capítulo da obra revela que a família
tentou fazer mudança a respeito de sua condição de vida, mas essa tentativa foi
por água a baixo, pois eles caminharam a procura de uma condição humana de vida
e de nada adiantou, e para degradar a situação, todos estavam desolados pela
morte da cachorra baleia. Contudo isso, eles não sabiam por onde mais caminhar,
só sabiam que tinham que seguir estrada em busca de um melhor caminho de vida.
Segundo Nelly Novaes Coelho, a forma de construir a
obra foi feita através de quadros e cada um deles é o estudo psicológico de
seus personagens. Em cada capítulo, procura-se analisar as “pessoas” por meio de
seu comportamento que está voltado para a natureza e para os animais, já que
existe uma fusão entre eles.
Essa obra carrega
um emblema de defesa sobre os preceitos socio-históricos encontrados naquela
época, com isso, o autor veio com sua escrita relatar uma denúncia social
configurando o sertão do Nordeste Brasileiro. Essa visão beneficiária está
configurando toda a problemática existente nesse meio.
Entretanto, o
autor mostra o lado dos personagens com características bastante obscuras que
denotam certa negação em descrever os fenótipos dos mesmos, assim dando esse
ponto como um lado.
Respaldando os
contrapontos embutidos na obra, Graciliano faz uma representação de “secura” e
frigidez nas características não só da vida dos personagens, mas também, de
suas reais personalidades, pois cada uma tinha sua vida seca fincada na vida
que levava no interior do Nordeste.
Tatiane
Joana Baptista
FACULDADE
CCAA, Rio de Janeiro
REFERÊNCIAS
ANDRADE, Luiz Eduardo da Silva. A Natureza Monstruosa em Vidas Secas,
de Graciliano Ramos,Sergipe, ano 7 n.11, Revista
da Literatura em Meio Digital,2009.
RAMOS,
Graciliano. Vidas secas. São Paulo.
Martins, 1973.Resenha: VIDAS EM MEIO À DEVASTADORA SECA EM GRACILIANO RAMOS
VIDAS EM MEIO À
DEVASTADORA SECA EM GRACILIANO RAMOS
RAMOS, Graciliano. Vidas
secas. São Paulo: Martins, 1973.
A geração de 30 – situada com segunda fase do modernismo brasileiro – se caracterizou por ser muito inovadora e crítica e por quebrar todos os paradigmas literários do Brasil naquela época. A prosa moderna de trinta motivou a abordagem de temas nacionais, focando em uma linguagem mais brasileira, com um enfoque mais direto dos fatos que aludem a procedimentos similares ao Realismo e Naturalismo do século XIX. Os romances escritos nesse período focaram no regionalismo, principalmente do nordeste, devido a problemas como seca, migração, falta de recursos para o trabalhador rural, miséria.
A obra propõe o que se pode chamar de realismo reflexivo, nela o narrador transmite os sentimentos e pensamentos de forma analítica, indagando pontos sociais e existenciais. O discurso é seco, os capítulos são curtos e a escrita reflete essa seca. A linguagem entre os personagens é mais transmitida pelo olhar do que oral e quando falavam algo, falavam alto e quase que por monossílabos. A obra retrata vidas secas e sem grandes ambições.
O espaço na obra se dá em meio a um clima semiárido, em que a vegetação por sua vez é pobre devido à escassez de chuvas na região. O ambiente não apresenta variação paisagística tendo em vista que o sertão é um local vasto e sem nada. A obra não revela as mudanças temporais, nesta por sua vez são apontadas as variações entre passado, presente e futuro dentro de uma perspectiva linear, mas não ocorre nenhuma mudança no modo de vida da família.
O fato que leva a família a migrar durante todo o decorrer da narrativa é a seca que faz com que a família não tenha nenhuma estabilidade de moradia, o que acarreta na má qualidade de vida.
O autor da obra Graciliano Ramos ao criar esta obra expõe toda sua indignação social sobre o modo de vida dos retirantes nordestinos, por isto ele coloca nesta obra personagens que confirmam a realidade do povo nordestino no país, povo este que está sempre “condenado” a não ter nenhuma mudança em sua condição de vida social, econômica e sociocultural, são raras as exceções de pessoas que são do nordeste do país e obtêm satisfação profissional, concluem os estudos, assim como têm acesso a uma boa qualidade de vida.
O primeiro capítulo do livro, que tem por tema “Mudança”, inicia-se com a peregrinação de Fabiano, Sinhá Vitória, filho mais velho, filho mais novo, Baleia, a cadela e o papagaio. Neste capítulo, percebemos o cansaço dos personagens, a fome e as necessidades pelas quais passaram durante a peregrinação pela caatinga. Este trecho da obra também aborda a morte do papagaio que morre com a finalidade de alimentar a família. A desculpa é que o animal é mudo, logo inútil. Porém não existia a possibilidade do louro desenvolver uma boa fala, devido ao fato dos demais personagens falarem pouco. Temos aqui na figura do papagaio a síntese da falta de comunicação na família.
Localizado no capítulo dois temos os episódios de peregrinação da família pela caatinga, de hospedagem da família na fazenda que se encontrava abandonada e temos a caçada de Baleia aos preás.
O terceiro capítulo, que tem por título “cadeia”, alude à prisão de Fabiano por ter xingado a mãe do soldado amarelo, depois de ser muito importunado na feira pelo soldado.
Situado no quarto capítulo da obra “Sinhá Vitória”, percebemos o desejo que Sinhá Vitória tem de possuir uma cama de lastros de couro e as inconveniências que dizia ao marido sobre a cama de vara.
Com a chegada do inverno no capítulo sete, chega também a esperança de um futuro melhor, de ver os pastos verdejantes, as árvores frutíferas, o gado engordando e procriando, além da família ficando mais robusta.
No capítulo nove, que tem por título “Baleia”, a cadela fica muito doente e por decisão da família resolvem sacrificá-la, pois tinham medo de que a doença de Baleia fosse contagiosa e com isto atingisse os filhos. Fabiano, o chefe da família, é quem mata a cadela com um tiro; Baleia só vem a falecer depois de tanto agonizar de dor, pois o tiro que seu dono lhe deu não foi certeiro, durante o período de agonia a cadela sonhava com um mundo de felicidade plena e repleto de comida como ela sempre quis.
No capítulo final do livro, que se intitula por “fuga”, percebemos que a vida na fazenda se torna difícil devido à seca e com isto a família tem que ir embora da fazenda, apesar de não quererem afastar-se de lá. A família por vezes adiou a viagem até que chegou certo momento que a fazenda havia se transformado em um verdadeiro “cemitério”, por tudo o que estava nela e ao seu redor perecer, e é neste instante que a família decide partir para um local mais habitado, a cidade, mas temiam por não conseguir trabalho; durante a peregrinação para a cidade grande a família pensava em como seria a vida nova e o que esta poderia vir a desencadear.
De acordo com Álvaro Lins (1977), Graciliano Ramos fez a escolha deste título porque a vida dos personagens também era seca devido às condições sub-humanas, o modo de criação, os costumes da época. Álvaro Lins também diz que a obra representa um estado de razão, de lucidez, de sobriedade.
De acordo com Massaud Moisés, em seu livro História da Literatura Brasileira, o romance possui uma estrutura novelesca que se caracteriza pela ausência de um conflito central e pelo domínio da ação, de acordo com um ritmo que impõe, a cada capítulo, a mudança do protagonista e do foco de visão. Dentro desta perspectiva, a intenção de Graciliano Ramos de acordo com Massaud Moisés seria abordar com clareza o drama dos banidos pelas secas, sobretudo atribuindo um tom trágico à trajetória de vida dos personagens. Com a palavra Moíses:
Dois aspectos de
Vidas secas têm atraído a atenção dos
leitores e críticos: o da cachorra Baleia, que acompanha os retirantes como um
ser humano, protagonizando um capítulo que tem sido destacado (inclusive
publicado pelo autor) como uma história independente, um conto. E do “menino
mais velho”, o da criança, nem sempre vista com propriedade, quando lhe é dado
comparecer nos microcosmos dos retirantes.
(MOISÉS, 2001,
p.175)
Como ponto
positivo da obra, percebemos que a prosa ficcional de trinta foi considerada
como uma literatura da infância, devido a Graciliano Ramos fazer com que seus
personagens recordem a infância; tornando explícito assim a criança como a
possível invenção de um adulto problemático, descobrindo então o foco dos
possíveis problemas, para assim tentar solucioná-los premeditadamente.
Como ponto
negativo da obra, percebemos o intenso foco dado ao lado negativo da vida de
quem habita o sertão, a caatinga, o nordeste, regiões em que os habitantes
normalmente apresentam pouco grau de instrução e por isto muitas das vezes são
discriminados devido à forma de expressão coloquial que utilizam.
Michelle
da Silva Guedes
FACULDADE
CCAA, Rio de Janeiro.
REFERÊNCIAS
RAMOS, Graciliano. Vidas
secas. São Paulo: Martins, 1973.
MOISES, Massaud. História
da literatura brasileira: modernismo 1922 - atualidade. São Paulo: Cultrix,
2001. v. III.LINS, Álvaro. “Valores e Misérias das Vidas Secas”. In: RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 36. ed. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 1977. p. 135-167.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Resenha: Vidas secas
Resenha: Vidas secas
Vidas secas, Graciliano Ramos, (Record; 138 páginas), é um livro que mostra a
situação de total miséria e desumanização de um povo, neste caso o brasileiro.
No entanto, o
autor não trata apenas dos problemas da seca, ele apresenta as mazelas vividas
por homens simples totalmente hostilizados e oprimidos pela natureza e pela
sociedade. Graciliano Ramos construiu sua obra com tanta veemência que
conseguiu retratar uma triste realidade que precisava ser verdadeiramente
pensada, fazendo da linguagem um espelho do caso narrado.
As personagens
principais são Fabiano, o pai, sinhá Vitória, a mãe, os dois filhos que nem
nomes tinham e a cachorra Baleia. É notório o fato dos pais não terem consciência
da necessidade de amparo, de carinho e de valorização. Eles se dirigiam aos filhos
com palavras ofensivas, de modo a chocar todos que leem a obra. E o reflexo da secura
no próprio relacionamento familiar.
Essa dualidade
homem/bicho pode ser pensada de duas maneiras: ser bicho era também ser forte,
resistente ao meio, à seca, às dificuldades de sobrevivência ao clima árido e
por isso tal identificação por parte do personagem. No entanto, podemos
observar o lado negativo da questão, ser bicho era não ser homem com todos os
seus valores e dignidade humana. A dificuldade de se comunicar, seu completo
desconhecimento acerca de sua língua, consequentemente gerou um desconhecimento
de sua realidade. Pois, dominar a linguagem, as palavras, é dominar o mundo, a
realidade ao redor. Na condição de bicho, era humilhado e explorado pelo patrão
e não se dava conta disso; pois, para ele, aquela situação era legítima.
Vidas secas apresenta características da prosa moderna bem demarcadas, de
modo que o romance traz uma concepção geral sobre o que é o Brasil em suas
entranhas, suas riquezas e pobrezas. E nesse momento a luta é a favor de se
conquistar algo diferente. Recriação e afirmação de uma cultura que tivesse a
cara do povo brasileiro, ou seja, uma cultura própria e original do povo
brasileiro. É bastante latente que não se tratava de fazer apenas uma
literatura que abordasse uma região do Brasil; mas, a realidade como um todo.
No que diz
respeito à crítica e à escrita em Vidas
secas, Graciliano chamou atenção para a ambiguidade dos ditames, para o
quanto a realidade nacional era diferente dos moldes que a sociedade insistia
em aplicar. E é pertinente por parte do autor a utilização do homem em sua
condição de quase animal que é perseguido por esta sociedade extremamente
injusta. E para que o resultado fosse positivo foi preciso circunscrever todo o
universo e as consequências dessa realidade.
A leitura do livro favorece uma excelente reflexão a cerca do que é ser
homem e de sua existência em um meio pouco favorável. Fica o questionamento: o
que é ser animal nessa situação? A história aborda um tema bastante relevante
para a época: um grupo está preocupado em sobreviver e, consequentemente,
superar problemas vindos da própria natureza humanos e do meio ambiente. A
trajetória da família traz à tona todo tipo de pobreza vivida pelos personagens
que perambulavam pelo sertão brasileiro.
A linguagem utilizada
é tão lacônica e dura, quanto à história escrita. O autor utilizando-se de
criaturas que mal falavam pelo simples fato de não terem o que falar ou por
acharem que não o tinham. A verbalização de pensamentos e de sentimentos,
portanto, evidencia-se como tarefa bastante difícil para aquela família.
Tudo isso pode
ser pensado a partir da realidade desumana e brutal em que esses seres viviam.
Fabiano era confundido com um animal, era um quase bicho, se sentia forte, era
humilhado como um bicho e se identificava como tal, como podemos conferir no
trecho abaixo:
Vivia longe dos
homens, só se dava bem com os animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e
não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se
a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o
companheiro entendia... (RAMOS, 2008, p. 20)
Ao tratarmos de
questões tão sérias como a miséria, o preconceito para com pessoas que estão à
margem da sociedade, é como se tivéssemos reconhecendo a existência de dois
“Brasis”. Um em que a classe burguesa dominante detém o poder e outra sem
classificação alguma que compõe aquele grupo que é dominado, ou seja, aquele
sem voz, sem poder de decisão, alienado na condição de servo de um regime em
que as coisas são impostas. Esse binômio dominantes/dominados,
exploradores/explorados foi assim no passado, no presente e certamente
perpassará séculos a fora.
Priscila
Gonçalves Nogueira Penna
Faculdade
CCAA, Rio de Janeiro.
REFERÊNCIAS
RAMOS, Graciliano. Vidas
secas. Rio de Janeiro: Record, 2008.
CANDIDO, Antonio. Dialética da Malandragem. In: Revista do Instituto de Estudos Brasileiros.
São Paulo, n.8, 1970.sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
DIÁLOGO
DIÁLOGO[1]
por
Sill
Claudio Lopes Furtado
Antunes possuía uma vida
plana, pacata, sem ondulações, completamente uníssona, previsível, poderia
mesmo se dizer estável no significado mais extremado do termo. Casado, morador do bairro de Higienópolis, na
zona norte da cidade do Rio de Janeiro, em um apartamento alugado de dois
quartos, pintado com cores neutras, com sua mulher Ana e seus dois filhos, o
menino Antonio, que herdara o gênio do pai, calado, quase autista, porém estudioso
e responsável e uma menina, Mara, obediente, religiosa e zelosa com as coisas
do lar, como a mãe.
Desde a infância, Antunes
evitava conversas, discussões, nem pensar, nas peladas com os moleques da rua,
preferia o gol. Poucos são os que se
preocupam com a técnica ou a tática empregada pelos goleiros, não deixar a bola
entrar bastava. Afinal aquelas explicações e debates ao fim do jogo deixavam-no
intranquilo e na sua visão eram desnecessários. Afinal o resultado não poderia
ser mudado.
No esporte, o futebol, o
atraía, mas escolhera para torcer o São Cristovão Futebol Clube, o alvinegro da
Leopoldina, campeão em 1930 ou 1933, sei lá, não importa, o principal é que não
havia outros meninos com quem tivesse de dividir sua paixão e perder tardes e
noites discutindo sobre os lances, as infelicidades, os gols perdidos e a falta
de engajamento dos atletas que não demonstravam seu amor pelo seu glorioso.
A vida escolar trazia
algumas complicações, todavia, destacava-se nas ciências exatas, simplesmente
porque elas eram como ele imaginava o mundo, simples e sem senões, não havia
tentativa persuasiva que convencesse quem quer que fosse que a raiz quadrada de
sessenta e quatro não era oito.
A língua, não era seu
forte, adorava o sujeito oculto, tinha certa simpatia pelo indeterminado e pelo
passivo, porém detestava o composto. Agora, se a mestra ameaçasse chamá-lo para
interpretar algum texto, por mais simples que fosse o pequeno Murilo (este era
seu primeiro nome), se estremecia todo, ficava com urticárias, gaguejava e
danava a chorar. Decididamente, não
seria um bom orador, político nem pensar.
Nas outras disciplinas, talvez
por seu bom comportamento, concordava com tudo e com todos, não teve maiores dissabores,
seus professores sempre o promoviam ao ano seguinte. Certa vez, na aula de biologia tivera dificuldade
para entender o mecanismo da metamorfose como forma de proteção natural, não
conseguia entender a naturalidade do recurso utilizado.
A vida avançou Murilo
agora já era um rapaz, Murilo Antunes Calado, prestou serviço militar no
exército brasileiro. Soldado muito
conceituado, Calado, era seu nome de guerra, entendeu perfeitamente o papel que
deveria desempenhar para dar sua contribuição à pátria, obedecer sempre seus
superiores e realizar as tarefas sem questionamento. Era a época do regime de exceção, da ditadura. Bons tempos aqueles.
Calado, posteriormente
saiu do exército antes de ser promovido a cabo. Houve mudanças no país e na estrutura das
Forças Armadas que não o satisfizeram, além do que, deixando de ser proscrito, deveria
expor suas idéias a um pequeno grupo de comandados o que poderia ser
desgastante, provavelmente alguns discordariam (o novo regime já o permitia),
haveria debate e ele odiava polêmicas.
O jovem Murilo sente que
seu corpo anseia por um complemento, busca um adjunto para o restante de sua
existência. Nos bailes (como eram conhecidos as baladas, a
night ou o pancadão de hoje) que freqüenta, seu jeito introvertido acaba dividindo opiniões,
algumas meninas o acham misterioso e praticamente imploram por uma palavra de
carinho.
Em uma tarde dessas que se
destacam das outras seja pela clareza e luminosidade ou pelos fatos eloqüentes
que a circundam, Calado avistou Ana, vestida de azul claro, tristonha, sentada
sozinha na mesa em frente à lanchonete do Clube de Sargentos do Rocha, onde a
matinê havia sido cancelada e as atrações remarcadas para o sábado seguinte, se
não houvesse outros imprevistos que não as impedissem.
Certamente você deve estar
se perguntando quais foram os imprevistos que impediram a matinê daquela tarde
luminosa do baile do Rocha em
que Calado conheceu Ana, mais infelizmente Calado nunca disse
uma só palavra sobre isso.
O que realmente importa é
que Antunes ao conhecer Ana, sentiu que ela era sua cara metade, sua alma
gêmea, a goiabada para o seu queijo, a tampa da sua garrafa, a linha para sua
agulha e o chinelo para seu pé descalço.
Afinal Antunes, falava pouco ou quase nada, mas seus hormônios o faziam
sentir intensamente o que não sabia expressar.
O namoro foi quase
automático, sem maiores delongas, Ana, moça de família, filha única, católica
fervorosa, prendada, simples e muito dedicada à mãe Luzia, deficiente visual, viúva
de um militar há mais de quinze anos, como todas as raparigas da época
tencionava encontrar um rapaz sério e trabalhador que a levasse ao altar.
A reputação de Antunes
falava por si só. Sisudo, porém honesto,
tímido, mas, sobretudo trabalhador, bom filho estava sempre ao lado da mãe, Dona
Inês, também viúva que infelizmente por ocasião da morte do esposo em um
acidente com explosivos, perdera definitivamente a audição, fato que em nada
diminuíra a estima que nutria por seu filho Calado.
Um fato veio a antecipar
os planos de matrimônio de Antunes e Ana. Passeavam pelas ruas tranqüilas do
bairro, Inês e Luzia, quando não se sabe bem de onde, surge uma vemaguete em
alta velocidade e num descuido visual de Luzia e apesar dos gritos dos
transeuntes que não foram ouvidos por Dona Inês, colheu as duas senhoras,
colocando Luzia em estado grave no Hospital Salgado Filho no Méier, ato
contínuo Inês é morta.
Ana e Antunes se calam
perante os acontecimentos, ele mais uma vez órfão, ao perder sua confidente
sente que ninguém mais vai ouvi-lo com a mesma doçura.
Ana ainda tem a esperança
que a providencia divina não lhe faltará, infelizmente, o destino também retira
Luzia, que não resistiu aos ferimentos, de sua vida, falta-lhe a partir de
agora a luz que guiava seus caminhos, tudo parece ser revestido por trevas,
ainda bem que Ana tem o consolo dele, Calado.
Ana, filha única de pai
militar, na falta da mãe, passa a receber a pensão do genitor, propõe a Antunes
a junção dos trapos, morarem juntos (regime precursor da união estável) e
Calado, para não perdê-la (não se sabe se a companheira ou a pensão)
aceita.
Para Antunes a não
formalização do casamento fora uma saída bastante conveniente, proclamas,
testemunhas, a famosa resposta à pergunta do padre, nada disso o agradava
muito, além disso, o importante era a junção das vidas numa só carne, uma só
idéia e, sobretudo numa só palavra.
Vieram os filhos, primeiro
Mara, linda, delicada, lembrava à avó paterna, chorava pouco, dispensava
maiores cuidados, desde cedo cativava o pai, era capaz de ficar horas e horas a
contemplá-lo sem exigir um só murmúrio ou exclamação de satisfação ou agrado.
Antonio, Toninho como era
pouco chamado, trazia nos olhos um que de auto-suficiência, de conhecimento
interior que dispensava maiores explicações, aprendera todas as operações e as
letras instintivamente, possuía as melhores notas da sala, lembrava muito ao
pai, porém não comungava da mesma paixão pelo São Cristovão, preferia
dedicar-se entusiasticamente ao Bonsucesso, mesmo contrariando às pretensões
implícitas de seu genitor.
Exímio escrevente
processual, Calado fazia a sua profissão como verdadeiro sacerdócio, concursado
que fora, mesmo tendo zerado a prova oral, que era apenas classificatória, havia
ido tão bem na etapa escrita que foi aprovado.
Quando chamado para a posse não foi contemplado com tarefas edificantes,
o que não o agradou, porém não esmoreceu e continuou calado.
Antunes já não é mais o
mesmo de antes, sua vida profissional passa por turbulências que jamais
imaginara enfrentar. Acusado de
corrupção passiva, Calado prefere silenciar por entender que o silêncio é a
principal arma dos justos e que dessa forma pautou toda a sua vida.
Exonerado, injustamente,
sente que a família é agora seu único porto seguro, volta ao seio do lar, com
imensa dificuldade em encarar sua mulher e filhos, pois poupara a todos das
agruras que vinha atravessando. Suas
feições são outras, seu semblante pesado, o olhar firme e sereno de outrora
mareja com a lembrança dos verbetes terríveis proferidos contra ele. Regurgita ainda a impressão causada pelos
vocábulos, as interjeições e as exclamações usados para lhe acusar.
Julgado e sentenciado,
mesmo tendo exercido o direito de permanecer calado, Calado fora injustiçado e
destituído daquilo que havia conseguido por direito e mérito próprio, a palavra
de outrem, não a sua, que o uso tanto evitara, se voltara contra ele e o
igualara ao mais vil dos seres, o que não tem dignidade, serventia, pois
perdera seu objeto de labor e com ele a sua voz.
Murilo, sentindo-se mudo
diante dos fatos, eleva seus pensamentos aos céus, recorre às orações que
aprendera na infância, mas sente intensa dificuldade de manter ligação
espiritual com Deus. Sempre preferira as
preces tradicionais, prefeitas, pois que não clamam pela dialética, basta a
simples súplica e o merecimento para serem atendidas. Modernamente, dizem os
espiritualizados ser necessária a comunhão de mentes e espíritos para
conseguirmos as graças solicitadas.
No silencio de seu
interior, Antunes toma uma decisão e resolve poupar àqueles que ama
ensurdecedoramente, de seus infortúnios.
Manter-se-á calado diante dos acontecimentos e ele, Calado, sairá de
casa. Seus filhos já estão criados, sua
mulher recebe a pensão paterna do exercito que é o bastante para mantê-la e
além do mais são fortes e como ele Calados, não merecem o exprobro público.
Calado sai de casa pela
manhã bem cedo, não consegue mais encarar a mulher e os filhos, deixa apenas um
bilhete onde pede que não o censurem e que os ama com toda a força que suas
palavras não serão capazes de traduzir. A
luz do dia que raia no horizonte é sua única testemunha. A vida parece se lhe esvair e a angustia em
seu peito prenuncia a realidade de seu novo mundo.
Desde o início do relato
das desventuras de Antunes Calado, muitos anos se passaram. Calado, maltrapilho e desnutrido, leva a vida
sem maiores pretensões como um morador de rua comum. À noite, divide um barraco com outros sem
terra, sem família, sem voz e sem dignidade, no Morro do Quieto e durante o dia
pode ser visto pelos passantes mais atentos, pelas ruas sombrias da Cidade
Maravilhosa, com as mãos estendidas, suplicando: Dialoguem comigo pelo amor de
Deus.
[1] Trabalho apresentado ao Professor André
Scucato como requisito
parcial para
aprovação na disciplina Tópicos
Especiais do curso de Letras da Faculdade CCAA. Rio de Janeiro.
08 de novembro de 2011
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
E NO MEU PEITO CABE VOCÊ
E
NO MEU PEITO CABE VOCÊ
por
Marcelo
Zaly
A
leitura esclarecedora
Os
40x10 do quintal considerando a parte frontal
A
mesa destruída pela ação do tempo – depreciação natural
A
tia avó está com licantropia – doença mental
Suspirei
com veemência
Desejei
a vitória para que nos fins seja uma vencedora
Sem
rodeio, escrevo tudo que sinto e vejo
Eu
amo minha progenitora
Os
fundos têm 40x20
E
no meu peito cabe você.
O
solo, o chão desregulado
Cimento,
pedra e gramado
Fico
sentado no sofá marrom observando todo arredor
O
solitário pé de mamão
As
colunas com vergalhões aparentes...
Continuidade
do que era pra ser um casarão – hoje casebre.
A
pequena natureza rasteirinha
Fartavam-se
dos raios do astro rei
E
a brisa gélida desta manhã.
Nos
ouvidos o dedilhar extraído das cordas do Groovin
A varejeira
acabou de pousar
Vasculha
os centímetros deste lugar
Parece
querer se alimentar – eu tenho fome!
E
pressa de encontrá-la.
I!
A mosca partiu em retirada
Acredito
que tenha se assustado com o som do liquidificador – um Walita com copo de
vidro transparente.
Amo-a
cada dia mais.
E
no meu peito cabe você.
A
vizinha portuguesa
O
cumprimento
O balbucio
balbuciante
As
pequenas arvorezinhas
Suas
flores na cor lilás
As
toalhas balançam nos varais
O
muro de salpisco – alto
Ah
esses meus rabiscos!
Persisto,
insisto – fortuito
A
rogativa prece
A
indulgência desfavorece
Violência,
agressão, lutas
Tamanha
confusão
A
ignorância em exposição
As
lágrimas lavam as almas, legitimam a redenção
A
obcecação, a obscenidade não podem imperar.
A
paixão desenfreada precisamos abandonar, precisamos frear.
O
amor puro vamos encontrar e ele vai nos fortalecer.
A
união dos gametas programa as heranças dos ancestrais
Leis
de causa e efeito
A
anulação material
A
forte energia na vinculação ao espermatozóide.
As
características biológicas dos pais vêm do chakra cerebral
Iluminando
tudo a volta como pequeno arco-íris
E
no meu peito cabe você.
A
luminosidade passa de prateada para o tom azulado
Há
fecundação no óvulo
A
união dos receptores de proteína na pelúcida.
A
reação enzimática.
A
perfuração foi facilitada normalmente
Em
vinte minutos
Há
implantação na câmara uterina
Ela
deseja Alice – então será o nome da nossa doce menina.
A
jornada é cheia de desafios
A
distância a vencer é larga
Têm
velocidade de um centímetro por minuto
O
alvo, o porto seguro estão a uns trinta centímetros.
Devagarzinho
venho voltando
Meu
corpo sobre a cama
São
04h 49min – estou despertando
A
ansiedade toma conta de mim
O
celular tocou!
Ela
chorando felicidade disse me amar sim.
“AMO
VOCÊ cada dia mais e mais...
É
impossível esquecer você,
É
impossível esquecer o que ainda nem vivi”
Interatividade,
timidez
Escrevi
um poema no qual ditei seu nome
Há
amor desta vez
E
no meu peito cabe você.
Quanto
eu mereço? O que importa é que caibo no seu coração!
Terá
repleta de beleza e bondade por trás da porta estreita.
Sim,
você tem a medida certa
Hoje
eu preciso de você – hoje só sua presença é capaz de me deixar feliz.
Estou
jogando fora as chaves e trancafiando-a no meu pensamento.
O
amor nos invade
O
amor cara metade
Sim,
consigo te pegar no colo!
Eu
quero teu amor sincero
A
muito espero – hoje o dia e as emoções
Amanhã
as realizações – nosso vídeo tem e fala de amor
Nosso
vídeo é o nosso mais puro amor
E
no meu peito cabe você.
04/08/2011
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