O livro Vidas secas, de Graciliano Ramos, relata
a história de uma família de retirantes que está fugindo da seca do sertão
nordestino e representa a prosa de 30, que se
concretizou como o marco na história literária do Brasil e fez parte da segunda
fase do Modernismo. Teve como importância a temática da seca, dos retirantes e
do engenho com características do romance e seu caráter social, econômico e
cultural. Essa prosa se encontrava comprometida com a problemática do país de
um modo generalizada e tinha como intuito encerrar com todos os parâmetros
tradicionais existentes naquela época.
A narrativa
revela a vida sofrida dos personagens no agreste nordestino e caracteriza as
condições de algumas famílias, que por sua vez são miseráveis e dão de si para
mudarem a vida social, mesmo que essas pessoas tenham pouco estudo e
oportunidade na vida.
Nessa obra, o
tempo não é medido sobre mudanças cronológicas, pois presente, passado e futuro
apresentam a mesma perspectiva e a história é linear.
O autor
Graciliano Ramos descreveu essa obra para confrontar com a época, pois esse
fato foi abordado de forma contestadora e indignada. Os problemas de condições
sociais que viviam os habitantes nordestinos, entre a fome, a miséria e a
pobreza pertencente a esse lugar.
O povo
nordestino sempre se caracterizou como um grupo digno de caráter, mas
desprovido de oportunidade de formação escolar, e por isso sem grandes
oportunidades de formação profissional, assim obtendo sempre uma vida obscura e
dilacerada pela pobreza, ou seja, vivem em uma condição desumana.
Mesclando a
história ao decorrer da obra, as figuras de linguagens encontradas são para
atribuir uma aproximação do leitor com a linguagem coloquial de forma que o
entendido da obra fosse relatado com clareza e grande facilitação.
No primeiro
capítulo, a obra de Graciliano é caracterizada pela mudança ocorrente; os sertanejos Fabiano, o pai, Sinhá Vitória, a mãe, os
dois meninos, acompanhados pela cachorra baleia e o papagaio, cruzaram a
caatinga do agreste do sertão, desgastados pela fome, sede, seca e miséria que
se encontravam por essa situação agravante, eles resolveram matar o papagaio
para fazer do animal indefeso um alimento, pois também acreditavam que o
louro era mudo e inútil, pois não tinha uma boa fala devido aos demais
personagens não se expressarem verbalmente.
No quarto
capítulo, Sinhá Vitória demonstra uma desilusão extrema de acordo com a
situação de pobreza e de miséria que sua família se encontrava, cada dia que passava
se tornava mais difícil obter o mínimo de dignidade e de Sinhá Vitória realizar
seu grande sonho que era ter uma cama de couro; sendo essa um dado que evidencia
a humildade e a simplicidade obtida de sua família.
A história do
capítulo nove exprime um emocional característico pela morte da baleia cadela;
ela ficou doente, seus pelos caíram,
as costelas exprimiam uma pele avermelhada, onde manchas escuras convertiam-se
em pus e sangravam. As chagas cobriam-lhe a boca de inchaço, e por esse fato
Fabiano resolver tirar a vida da pobre cadela para que o sofrimento da cachorra
acabasse de uma vez por todas.
O último capítulo da obra revela que a família
tentou fazer mudança a respeito de sua condição de vida, mas essa tentativa foi
por água a baixo, pois eles caminharam a procura de uma condição humana de vida
e de nada adiantou, e para degradar a situação, todos estavam desolados pela
morte da cachorra baleia. Contudo isso, eles não sabiam por onde mais caminhar,
só sabiam que tinham que seguir estrada em busca de um melhor caminho de vida.
Segundo Nelly Novaes Coelho, a forma de construir a
obra foi feita através de quadros e cada um deles é o estudo psicológico de
seus personagens. Em cada capítulo, procura-se analisar as “pessoas” por meio de
seu comportamento que está voltado para a natureza e para os animais, já que
existe uma fusão entre eles.
Essa obra carrega
um emblema de defesa sobre os preceitos socio-históricos encontrados naquela
época, com isso, o autor veio com sua escrita relatar uma denúncia social
configurando o sertão do Nordeste Brasileiro. Essa visão beneficiária está
configurando toda a problemática existente nesse meio.
Entretanto, o
autor mostra o lado dos personagens com características bastante obscuras que
denotam certa negação em descrever os fenótipos dos mesmos, assim dando esse
ponto como um lado.
Respaldando os
contrapontos embutidos na obra, Graciliano faz uma representação de “secura” e
frigidez nas características não só da vida dos personagens, mas também, de
suas reais personalidades, pois cada uma tinha sua vida seca fincada na vida
que levava no interior do Nordeste.
Tatiane
Joana Baptista
FACULDADE
CCAA, Rio de Janeiro
REFERÊNCIAS
ANDRADE, Luiz Eduardo da Silva. A Natureza Monstruosa em Vidas Secas,
de Graciliano Ramos,Sergipe, ano 7 n.11, Revista
da Literatura em Meio Digital,2009.
RAMOS,
Graciliano. Vidas secas. São Paulo.
Martins, 1973.
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