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Eu nasci de um pé de quê?
Nasci de um pé de couve,
Muitos falam e um só ouve.
Do pé torcido, de corrida fugida
Para não revelar uma mentira vivida.
Eu nasci de um pé de moleque,
Porque sou moleca que não cresce
E que nunca vai crescer.
Eu nasci de um pé de bailarina,
Feio, cansado, sofrido e dolorido,
Mas que traz luz e vida
quando começa a dançar.
Eu nasci de um pé de coelho,
Que para ter sorte e nunca azar,
Nem sair do rumo que Janaina quer me dar.
Eu nasci de um pé de pato,
Que sai do rio e entra no mato,
Para saudar o caçador que mora lá.
Eu nasci de um pé d’água
Que muda a maré
Porque sou forte e nasci mulher.
Eu nasci de um pé de vento,
Que traz tempestade e raios,
É Oyá e fala comigo em yorubá
Que é para ninguém nos decifrar.
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Eu nasci
de um pé de guerra,
sou cria
de um guerreiro,
que
mandou seu fiel escudeiro
Nunca de mim desgrudar.
Eu nasci de um pé de serra,
Que tem uma linda cachoeira,
Para eu, menina faceira,
Sempre ir me banhar.
Eu nasci de um pé de quê?
Nasci de
um pé de amor,
Porque
sou abençoada, por Deus,
nosso senhor,
Que
também é Oxalá,
me deu
amor de sobra
E que
nunca vai faltar.
Eu nasci
de um pé de quê,
Vivi num
pé de quê,
Vou
morrer num pé de quê?
Ciça
Marcheanni
Para Gabi
e Gui, meus frutos.
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O objetivo é divulgar produção de textos em que a língua, com toda sua polissemia, possa exercer a criatividade necessária à poesia. Participantes: todos os ex-alunos da Faculdade CCAA que quiserem compartilhar esse espaço.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
UM PÉ DE QUÊ ?
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