UM RELACIONAMENTO
OU UMA LOUCURA?
por
Lília D.
Naquela tarde, tudo parecia mais divertido do que nunca fora para
Mariana. Isto porque seu novo professor de história, do colégio, mais parecia
um deus grego saído dos livros do que, necessariamente, um respeitado
professor. Bastante sério, que por sinal reparara, mas algo nele a instigava...
Ele sequer fizera um comentário sobre esposa, filhos ou família como seus
professores costumavam fazer, mas então porque ele tinha uma marca de alinça
deixada pelo seu no seu anular esquerdo, em sinal que já fora casado?! Será que
eles haviam se separado ou ela morrera?! Bem, estas perguntas só ele poderia
responder então prefiriu se aguentar até que o professor se acostumasse com a
turma e começasse a dizer alguma coisa a respeito de sua vida pessoal.
No dia seguinte, chegara cedo. Rezando para que seu professor também
chegasse e pudesse lhe arrancar alguma informação a respeito dele...e para sua
sorte foi o que ocorreu. Ela pediu licença e entrou, deixou sua mochila na carteira
e andou até ele, mas no meio do caminho a vergonha falou mais alto e foi em
direção a porta e saiu. Lá fora ela se perguntava, porque não havia criado
coragem e falara com ele. Bem, a explicação era simples: se ele não dava o
menor sinal de que queria falar de sua vida pessoal com seus alunos como ela
poderia lhe perguntar algo que não fosse relacionado a matéria?!
Pensou, repenseu e finalmente chegou a uma solução: se ele só
responderia questões referentes a matéria então ela lhe perguntaria sobre a
matéria e, assim, tentaria criar algum vínculo de amizade para mais pra frente
poder finalmente lhe perguntar sobre a sua vida pessoal. Voltou para a sala e
foi na direção do professor, novamente, e desta vez convencida de que seriam
amigos. Lhe pediu licença e perguntou se ele se importaria de lhe tirar algumas
dúvidas da matéria do dia anterior que ele havia dado e que ao chegar em casa
para estudar ela se dera conta que não havia entendido. Ele lhe deu um sorriso,
e disse se ela se importava de se reunirem mais tarde, por volta de 17 horas,
porque após a aula ele daria aula em outro colégio. Ela concordara, e ele lhe
pediu que não comentasse com mais ninguém, porque a escola não permitia este
tipo de reunião fora do horário das aulas. Ela se surpreendeu com a compreensão
e se sentiu culpada já que era mentira, que não havia entendido a materia, ao
contrário, inclusive tirara dúvidas de alguns de seus amigos.
Ela sorriu, sem graça, e lhe disse que não queria causar nenhum problema,
ele sorriu de volta e disse se ela se importava de só marcarem ali na porta do
colégio e irem para a casa dele que assim ninguém saberia só os dois. Ali
estava a oportunidade que ela precisava, pensou, e retrucou: "ah!, mas eu
não quero ser incoveniente, sua esposa pode querer conversar com você" e
riu, esperando alguma resposta. Ele sorriu, dizendo que não seria problema já
que morava sozinho, pois não era mais casado e sua filha só o iria visitar no
fim de semana. Pronto! Descobrira! Já foi casado e tem uma filha. Porém, a segunda
informação de alguma forma a incomodara, mas não sabia o porquê.
Às 17 h em ponto, lá estava ela, aliás antes das 17. Ficara tão ansiosa
que chegara meia hora antes do combinado. Não conseguiu mentir para sua mãe,
porém não lhe disse o real motivo de sua ida à casa dele, disse exatamente o
mesmo que dissera ao seu professor: "estou com dúvida na matéria". A
hora parecia passar devagar, olhou em seu relógio, marcavam 17h 03min. Estava atrasado,
mas antes que tivesse tempo de ficar com raiva ele a chamou: "Mariana,
desculpe o atraso. Então?! Vamos?" Ela se virou para a rua e lá estava
ele, mais lindo que nunca, com óculos escuros. Nossa! Seria difícil fingir se
concentrar assim! Ela deu a volta no carro e se sentou ao seu lado, no banco do
carona. Mas, sua alegria durou pouco... Isto porque ele precisava passar no
mercado, mas, por quê? Ela sorriu, fingindo não ter nenhum problema, mas ficara
curiosa para saber, porque ele "precisava" ir ao mercado. Ao chegarem,
ele pediu que pegasse um carrinho e prometeu que não iriam demorar, mas antes
que ele lhe desse as costas ela o segurou e perguntou:
_ Márcio, por que estamos no mercado? Se é por minha causa não precisa
tanta cerimônia eu como qualquer coisa... - lhe disse com um meio sorriso.
_ Bem, realmente era por sua causa, mas também por mim. Eu não tive
tempo de ir ao mercado e não tenho nada, nem balinha - lhe respondeu rindo.
Ela não aguentou a piada e riu também, riram juntos e ele sem se dar
conta lhe segurou a mão, mas na cabeça de Mariana só poderia ser porque ele a
via como uma filha e isso a deixou com raiva.
Eles andaram um pouco pelo mercado, de mãos dadas, e então ela se dera
conta que mesmo quando ele se dirigia a uma prateleira para pegar alguma coisa
ele voltava e lhe pegava novamente a mão. Foi então que ela começou a pensar
muita coisa... menos que ele era como um pai para ela. Eles andaram mais um
pouco e, antes que ele a pegasse novamente pela mão, ele percebeu que o tempo todo
eles andavam de mãos dadas... mas porque ela não o alertara?! Bem, não deixaria
a menina envergonhada. Quando eles estivessem no carrro lhe perguntaria. E foi
o que fez: antes de ligar o carro ele pegou na mão de Mariana, olhou dentro de
seus olhos e perguntou:
_ Mariana, desculpe ter andado de mãos dadas pelo mercado, mas quero
saber uma coisa. Por que você não me avisou?
_ Ah! Bem... é que... - com o rosto todo vermelho, de vergonha, pela
pergunta direta murmurava uma resposta, mas não conseguia completar uma frase
inteira. E Márcio, então, continuou:
_ Mariana você realmente está com alguma dúvida na matéria?! - lhe
perguntou esperando um não, mas se surpreende com o porquê.
Sem responder, pela vergonha que a corroía, só conseguiu balançar a
cabeça negativamente. Ele levantou sua cabeça pelo queixo num gesto delicado e
sensual e fez uma coisa que nem ele esperava fazer, mas no fundo os dois sabiam
o porquê. A beijou. Foi um beijo inicialmente lento, como se um estivesse
saboreando a boca do outro, e então ele a abraçou e a beijou mais
profundamente, com mais intimidade e extrema sensualidade. Ela gemeu de prazer.
Ao ouvi-la ele parou, a olhou e disse:
_ Mariana, você não é minha filha, mas tem idade suficiente pra ser e
quero te fazer uma pergunta, que por ser pai tenho que fazer, mas quero que
você me responda com muita sinceridade...
Antes que ele perguntasse Mariana já pensava na pergunta e morreria de
vergonha se ele a pronunciasse, então lhe tampou a boca com os dedos e em tom
sensual lhe disse ao ouvido:
_ Não sou virgem se é o que quer saber, mas se o fosse eu nem te diria,
porque o que estou pensando em fazer independe disto, é só um detalhe e um
detalhe que não me arrependeria de perder contigo.
_ Mari, posso te chamar assim?!
_Claro, querido. Posso te chamar assim?!
_ Se não se importar me chame de tudo menos de professor...
Quando disse isso, Mariana não aguentou e começou a rir, ele também e
antes que voltassem às caricias ligou o carro e lhe disse:
_ Vamos, que acho que aqui não é um bom lugar pra fazer isto. E
partiram.
No caminho eles foram conversando. Ele querendo saber, porque ela se
interessara por ele, já que dava as aulas com muita seriedade, quase com mau
humor, e ela lhe explicou que era isso que a atraía, porque sua curiosidade em
saber o motivo de agir assim a corroia. Riram, e continuaram a conversa, mas
agora como se fossem dois namorados que acabaram de se conhecer. Perguntaram
sobre gostos, músicas que ouviam, até sobre seus signos eles conversaram.
Quando chegaram à casa de Márcio, subiram o elevador de mãos dadas e ainda
dentro eles se beijaram. Sem se importarem pro que iriam pensar se os vissem
juntos, devido à diferença de idade. Eles já nem falavam da escola, porque ao
final deste dia nem sabiam como se olhariam, sem transparecer este sentimento
que estava começando a surgir...
Ele lhe mostrou a casa toda, inclusive o quarto da filha. Então, sem
dizer nada, antes que ela pudesse reagir, a puxou para mais perto e a pegou no
colo e a beijou. Surpresa só pensava que nunca esqueceria este dia.
A pôs no chão e, de mãos dadas, foram para a cozinha. Antes que ela
pudesse se oferecer para ajudar ele lhe disse:
_ Nem pense em me ajudar, você é minha convidada. Aliás, acho que depois
de hoje seremos bem mais... E não terminou a frase, apenas deixou no ar. Para
curiosidade de Mariana. O que ele quis dizer?! Ela só saberia se ficasse.
Ela se sentou num dos bancos da cozinha e o admirou. Como ele era
cuidadoso. Para um homem parecia estar bastante acostumado a cozinhar e, então,
ficou pensando porque seu pai não cozinhava para sua mãe...
Antes que chegasse a uma conclusão sobre o casamento dos pais, ele
interrompeu seus pensamentos e disse:
_ Antes de comermos gostaria de tomar um banho. Você se importa de
esperar?
_ Não, aliás bem que gostaria de um banho também, aceita companhia?
_ Hmmmm... acho que vou demorar hoje no banho... - concluiu rindo, de
forma instigante.
Ela riu e eles foram de mãos dadas até o banheiro. Mas, para sua
surpresa, ele tinha uma suíte e antes que pudesse pensar qualquer coisa, ele a
puxou para perto, colando seu corpo no dela e se beijaram. Então, ele foi
beijando seu pescoço, descendo para o colo e com uma das mãos por dentro de sua
blusa, fazia carícias em suas costas. Lhe desabotoou o sutiã com uma das mãos e
com a outra levantou a blusa, fazendo-a levantar os braços para despi-la, e,
antes de tirar o sutiã, a pegou no colo e se dirigiu para a cama, onde a deitou
com todo cuidado, sem lhe desviar o olhar. A beijou novamente e a enlaçou com
uma das pernas, para olhá-la enquanto lhe tirava o sutiã, lentamente e com
delicadeza, saboreando cada poro de sua pele. Ao tirar por completo o sutiã a
olhou, maravilhado com o formato, a cor rosada de seus bicos e notou como
estavam rijos. A tocou levemente com os dedos e tomou um deles com a boca. Com
a língua, fazia pequenos círculos, joguinhos que a estavam enlouquecendo e a
faziam gemer de prazer. Voltou a olhá-la e levantando o corpo foi descendo-lhe
a saia. Se despiram por completo e após algumas carícias enlouquecedoras ele a
tomou. Com cuidado, primeiramente, pois não estava convencido de que ela não
era virgem, mas ao perceber que ela lhe dissera a verdade aumentou a velocidade
e chegaram ao gozo juntos. Ainda deitados se beijaram e de mãos dadas, ainda
com a respiração acelerada, pelo ato, entraram no banho. Após mais algumas
horas de diversão, Mariana se deu conta do horário e lhe disse que combinara com
sua mãe de chegar no máximo às 22, como já eram 21 tinha que se arrumar, porque
era mais ou menos o tempo que levaria até chegar em casa. Ele se vestiu e antes
que ela se negasse ele disse que não se preocupasse, chegaria cedo. Ele a
levaria de carro, não a deixaria ir sozinha. Ela discutiu um pouco, mas por fim
aceitou a gentileza e o advertiu que não se beijassem porque morava em seu prédio
desde pequena e o porteiro poderia ver e contar para sua mãe. Ele lhe respondeu
que não se importava, já que não era casado não devia satisfações a ninguém e
caso sua mãe brigasse com ela que o avisasse, ele conversaria com sua mãe. Ela
se espantou de início, mas gostou. Enfim, parecia que ele não queria só isso...
Ele a deixou na porta de seu prédio e lhe abriu a porta para que
saísse, mas antes de conseguir correr para o prédio ele a segurou e a beijou. O
porteiro, ao vê-la entrar, deu boa noite em meio a risinhos debochados e ela,
sem graça, o saludou de volta. Dentro do elevador, se perguntava o que diria a
sua mãe. Ao notar que seus cabelos ainda
estavam molhadas devido ao banho, não lhe restava outra alternativa senão
contar a verdade. Não mentia nunca para sua mãe, mas só de pensar em como a mãe
reagiria morria só de pensar. Nunca brigara com ela. Eram muito amigas e
conversavam sobre tudo, inclusive quando perdeu a vingindade. Sua mãe que a
acompanhou para o ginecologista pra que avaliassem se ela poderia tomar pílula
e todo mês sua mãe, pontualmente, lhe comprava e junto lhe dava um caixa de
preservativos. Sempre foram amigas, cúmplices. Mas, será que isso acabaria
agora?! Ao abrir a porta sua mãe a esperava acordada. Estava vendo tv e nem se
importara com a hora, a abraçou e ao lhe perguntar como foi o dia ela lhe
respondeu com um simples: "ótimo". A mãe riu, mas a deixou ir para o
quarto trocar de roupa. Ainda nem acabara de trocar a roupa sua mãe bateu na
porta, entrou e lhe disse:
_ Filha, sabe que você não precisa me esconder nada, né?! Se não quiser
contar pro seu pai desse seu namorado novo tudo bem, mas não precisa mentir que
foi no seu professor. Agora, me conta! Estou curiosa para saber quem é o
felizardo?
Mariana se espantou e acabou rindo porque mesmo que quisesse não
conseguiria mesmo mentir. Sua mãe até se dera conta que ela não estivera
estudando e respondeu com sinceridade:
_ Mãe, eu realmente não estava estudando... eu ia mas, tomou outro rumo
minha visita...
_Hã??
_ Bem, vou te explicar. É melhor você se sentar...
Se sentaram na cama de Marina e ela lhe contou como tudo ocorrera: o
passeio pelo mercado, os beijos no estacionamento, enfim, a tarde de amor na
cama de seu professor. Sua mãe estava em choque! Mas, não lhe demonstrara nada,
nem sequer nojo. Nada! Parecia tão surpresa, quanto ela mesma ficara, ao se dar
conta de que ele também a olhara com outros olhos.
Enfim, passados alguns minutos, sua mãe lhe disse:
_ Então seu novo namorado é seu professor de História?
_ Não sei, mas depois de hoje penso que sim. Ele me disse que faria
questão de falar com a senhora se eu tivesse algum problema e que me proibia de
te esconder alguma coisa, a você e ao papai. Ele me proibiu de mentir!
_ Bem, se ele tem uma filha, acho que ele está agindo como gostaria que
um homem agisse com ele se o mesmo ocorresse com ela... Sei que você deve estar
pensando o que vou dizer, então só tenho uma coisa a dizer: Que bom gosto
hein!! Eu também faria o mesmo no seu lugar!
Relaxada e espantada, Mariana riu com a mãe. Conversaram, e sua mãe
decidiu que, por enquanto, já que não sabiam se isso tudo daria realmente em
compromisso, não falaria nada ao seu pai e que ela poderia se encontrar mais
vezes com ele, mas que ela fazia questão que lhe contasse tudo! Porque ela iria
arder de curiosidade. Mariana e sua mãe gargalharam. E ela contou como havia
sido tudo e por fim se deitaram.
No dia seguinte, Mariana levantou cedo, pois agora que ela tinha um
motivo e uma desculpa, também, para se arrumar melhor. Tudo bem que o uniforme
não ajudava, mas poderia dar um jeito com uma maquiagem, mesmo que leve, e
faria um penteado diferente. Todos, inclusive Márcio, se dariam conta da
mudança.
Se arrumou, tomou café e foi para a escola. Sua mãe, como sempre, a
deixara na porta, de carro, e seguiu para o trabalho. Ao entrar, ainda no
portão, seu olhar se cruzou com seu professor, agora não mais estranhos.
Precisava manter o controle, mas devido ao tumulto de alunos na porta ninguém
percebeu quando ele lhe acariciou a mão ao passar. Ela sorriu, ele sorriu de
volta e se cumprimentaram com um simples "Bom Dia!" e seguiram para
suas salas, lado a lado, ele para a sala de professores e ela para sua aula de
geografia. No intervalo, estranhou a falta de Márcio. Ele sempre descia pra
comer alguma coisa. Mas, por que não descera?! Então, quando olhou para as
escadas percebeu que ele estava indo embora e pelo visto com todo seu material.
Ela não entendeu. Sua próxima aula, depois do intervalo, era com ele! Só
conseguia imaginar que ele fora mandado embora e o pior porque ele decidira,
sozinho, que o melhor era sair da escola antes que algo mais acontecesse. Passou
o resto do intervalo triste. Mas não chorara, estava tão chocada, que não
conseguia chorar. Nem uma lágrima.
Já na sala, se acalmou. Nada ocorrera. Até esquecera que ele era professor
substituto. Na sua confusão mental, pelo que vira, nem pensara nisto. A
professora estava de volta. Então, ele não seria mais seu professor... Então
será que haviam esperanças?! Agora que não era mais seu professor poderiam
ficar juntos! Não seria antiético. Seria?!
Passou a aula toda pensando na saída de Márcio. Será que ele deixaria a
escola ou apenas daria outra disciplina?! Já que a professora que ele
substituira retornará... Quando o sinal da saída tocou quase saltou. Nem se
dera conta do tempo que passara pensando. Guardou seu material e ainda no
portão viu que Márcio estava encostado em seu carro, do lado de fora do carro.
Na frente de quase a escola inteira! Meu Deus! Ele não faria isso, faria?!
Ao sair, fingiu que não o vira. Mas, era tarde e ele a acompanhava com o
olhar sua saída inteira, sem desviar um segundo. A pegou pela mão e se
beijaram. Ainda na porta, todos começaram a cuchichar e ela se sentiu a mulher
mais sortuda do mundo, com toda a vaidade, normal em sua idade. Duas amigas
suas, que estavam paradas na calçada conversando, a olharam e piscaram. Elas
aprovaram! Era o que ela precisava, o apoio de suas amigas. Entraram no
carro... Mariana acordou. Loucura?! Sonho?! Relacionamento?! Mariana teria que
descobrir, mais tarde, na escola...