sexta-feira, 5 de novembro de 2010

COMO ABRIR O SAQUINHO DE PLÁSTICO?...

Tenho acompanhado tristonho e irritado a notícia de que querem acabar com as sacolas de plástico dos supermercados. Essa notícia me preocupou tal como a chegada à lua dos americanos inquietou a Gil. Lunik 9 diz que "é chegada a hora de escrever e cantar talvez as derradeiras noites de luar". Gil se preocupava com o nosso satélite. Um certo constrangimento poético ocorreu-lhe: como dividir esse astro com astronautas? Pisar no que sempre idealizei como musa dos meus luares e canções. Pois bem, me acometeu o mesmo escândalo.
Que farei com as minhas compras sem o saquinho simpático e óbvio? Logo agora que já estava quase aprendendo a abri-los. Tia Albertina é esperta no abrir os saquinhos. Parece que as pontas dos seus dedos carregam uma lubrificação especial que, ao primeiro toque, acontece o absurdo rompimento do saco. "Eu não consigo!" disse para a caixa que me via como um incompetente e que, com ar de reprovação, dizia-me: "não é assim, senhor! De repente, aquela moça tão rápida no que eu era lerdo, jogou-me nas mãos um pano úmido para que eu pudesse ter sucesso na minha grande empreitada. O que eu queria mesmo é que ela fizesse o serviço. Tempos maravilhosos quando havia os empacotadores rápidos que despachavam num átimo nossas compras e ainda as colocavam no carrinho. Hoje é uma raça extinta. Os donos dos supermercados nos delegaram esse serviço, sem nos ensinar como abrir os saquinhos. Tia Albertina gargalha quando lhe falo sobre isso. Ela também é radicalmente contra se acabar com os "amiguinhos" de plástico. E além disso concorda comigo em que deveria haver um treinamento exclusivo para clientes, e que em sua ementa houvesse um capítulo para questões datiloscópicas. Tenho uma professora que também não consegue dar velocidade às suas compras em função dos famigerados saquinhos de plástico. Tudo vai bem até que chega a hora de empacotar o que comprou. E passa o dedo aqui, e desliza o dedo pra lá, e sopra o saquinho por cima...É uma luta insana contra um saquinho de compras. Rimos muito quando ela comentou esse fato. O que fazer? Eu me pergunto: por que não vim com o dom de abridor de sacos de plástico? por que, como Tia Albertina, não sou versado nessa arte? ou seria tecnologia? Tio Manoel, que trabalha no IBOPE, disse que esse tema daria para uma pesquisa interessante sobre homens e mulheres abridores de saquinhos. Poderia conter até o grau de dificuldade e a completa inapetência para esse mister. "Tenho pensado tanto, mas não sei", como cantou Gil. Acho melhor mesmo o saco de papel, assim não encho o saco com tanto lero-lero.

Ricardo Macedo dos Santos

Nenhum comentário:

Postar um comentário