sexta-feira, 5 de novembro de 2010

PACIÊNCIA ENCERRADA

Então? Por que será que te incomodo? Por que será?
Só porquê nesse momento, o teu desejo proibido, o teu segredo escondido a sete chaves foi violado pelo meu olhar crítico? Será que essa minha curiosidade patética de quem observa o que se quer que seja mostrado te transforma em herói nacional?
Poupe me do teu constrangimento, da sua timidez, mas poupe me também do seu interesse pela vida alheia que invade todos os dias a sua casa em horário nobre. Quem será que tem a privacidade invadida?
Quem me dera poder entender melhor o comportamento humano sem julga lo o tempo todo. Utópico seria se eu conseguisse essa proeza... mas há de se remar contra a maré.

Há de se deixar de lado o prazer de atirar pedras no telhado de vidro do vizinho...

Se a clausura das paredes transparentes transforma “escolhidos” em celebridades e a cada esquina somos monitorados por observadores de plantão, não me venha com explicações freudianas ou observações conceituais para justificar o seu interesse voyeur pela vida dos outros.
Olhe para a lente! A luz vermelha piscando indica que nesse momento, você não pode ser você mesmo! Você é o alvo e deve seguir o combinado! O modelo idealizado de perfeição. O protótipo de hipocrisia feito sob medida!
É sempre assim! Todos se olham entre si o tempo todo! Todos se cobram o tempo todo! Conceitos e valores invertidos ou não: moralidade tarifada! Ligações encerradas! Quais seriam esses valores? Tabus sagrados! Verdade absoluta ou farsa dramatizada?
Me poupe de tanta futilidade, desse estereótipo de conduta...
Desliga a TV e vá ler um livro!

Alexandre Calheiros

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