Descobri querido
Que és de todo romântico
Egocêntrico, narciso
Ariel e Calibam
És o retrato perfeito
Do subjetivismo e idealização
A toda jovem seduzes
Com versos e prosas
Mas é na boêmia da noite
Que está toda tua satisfação
A dor dilacerante
Do fracasso e traição
Te roubaram por completo
O bom senso e a razão
Pareces a todas desejar
Quando na verdade
Se enclausuras em teu vazio
Em tua caverna
Em teu medo de amar
Preferes todas as teus pés
Mas tu, aos pés de ninguém
Pra que correr novamente o risco de sofrer?
Bobagem!
Melhor é ter apenas o momentâneo prazer
Vejo que fui a mulher idealizada
A virgem sublime e imaculada
Inacessível, angelical, espetacular
E como um bom romântico,
Não me aceitaste
Visto que era perfeita demais
Pro teu patamar
Em tua própria dualidade constante
Bem dás conta de ser
Romantismo e Arcadismo
Cristianismo e Paganismo
Eros e Psique
E ainda que sejas
Pobre e Rico
Erudição e Imaginação
Não podes, contudo querido
Ser Trevas e Luz
Pois estas fazem entre si
Total distinção
Estás ao inverso
Da vereda dos justos
Que é como a luz da aurora
Que vai brilhando mais e mais
Até ser dia perfeito
Só espero então
Que não termine por contar os pulsos
Se por acaso outra vez
A dor teu peito dilacerar
Mas que antes, no verdadeiro Deus
Teu Grande Porto apaziguador
Venhas encontrar.
Letícia Miranda
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