Peco peme peço Pees pese petex peto pedi pezen pedo peque penem pesem pepre peque pere pemos peser pecom pepre peen pedi pedos pepor pea peque peles peque penos pelê peem peou penos peou pevem, pemas pesim pepor peal peguns. Poderia escrever em inglês, espanhol ou recorrer a um tradutor eletrônico que truncadamente passaria meu texto para o javanês, mandarim ou quíchua, mas preferi a língua do pê. Essa é uma língua velha e abandonada pelas crianças que preferem dizer, quero dizer, teclar “q a gnt tah eskentando d+ a kbça.......!!!!!” com todas as reticências e exclamações que o teclado suportar... Tb adoro... Esqueço o dedo no tecladooooooo..........! Me lembro de quando eu tinha umas canetinhas chamadas hidrocor e eu esquecia a ponta enfiada no papel e uma bola de tinta imensa ia crescendo nele. Adorava. Não posso dizer o mesmo da minha mãe.
Bem, criancices à parte... (aí elas de novo!) Até hoje nos deparamos com falantes da nossa própria língua tentando não ser compreendidos, ou melhor, tentando ser compreendidos apenas por alguns em alto e bom som. Refiro-me ao que me ocorreu um dia desses num supermercado. Não que já não tivesse ocorrido antes, mas naquele dia me pegou um tanto quanto questionador. Quando passava minhas compras pela esteira, ouvi uma voz saída dos alto-falantes do supermercado que dizia: “Atenção, colaboradores, em cinco minutos: código W!” Aquele “atenção” despertou em mim uma frustração por não alcançar a mínima compreensão daquela mensagem. O que seria o código W? Melhor: por que código? Ou pior: por que anunciar isso e dessa forma pelos – diria – alto-falantes do mercado? Naquele momento, olhei firmemente para a caixa – isso, a própria que registrava minhas compras – e tentei decifrar pela sua reação o que iria acontecer em cinco minutos. Talvez acostumada com tais códigos secretos, nem esboçou reação. Não me contive e lhe perguntei o que seria o tal código W. Com um sorrisinho de um misto de sarcasmo e de sacanagem, não me respondeu e continuou aumentando as cifras da minha conta ao passar o presunto, o pacote de Ruffles, o pote de Qualy... Insisti na pergunta a qual não foi respondida nem quando eu lhe disse que era muito importante pra mim saber o que significava o código W. Nada! Com um tom de inconformismo na voz, perguntei o porquê de estarem falando em código. O que aconteceria em menos de cinco minutos? O que de tão secreto devesse não ser comunicado a nós clientes? Quase esquecendo o refil de Gleide lavanda no balcão, paguei e saí, não entendendo o porquê dessa conspiração lingüística. Quando saltou outra vez uma voz do alto-falante dizendo: Atenção, colaboradores: código M! Ouvindo isso me senti não menos confuso, mas muito mais aliviado e vingado, porque o que quer que tenha sido o código W, tinha dado M!
José Luis Sabarís
Rio de Janeiro, junho de 2008
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