O DESTINO
Atravessando a rua apressado, Tobias não viu o carro que se aproximava. Um Ford vermelho guiado por Isabela, que acertou em cheio o rapaz.
A moça desesperada não sabia o que fazer diante daquele terrível acidente. A ajuda das pessoas que passavam por ali foi fundamental até a chegada do socorro médico.
Isabela seguiu com Tobias para o hospital. Acompanhou aflita todos os exames.
- Foi uma pancada e tanto, disse o médico. Sorte o rapaz não ter morrido. Apenas alguns ossos quebrados.
- Obrigada, doutor. O Senhor não sabe o quanto essa notícia me acalma. Eu não o vi atravessando. O sinal estava verde. Não sabia que alguém seria tão louco em tentar atravessar num local com tantos veículos em alta velocidade.
- É verdade! As pessoas estão cada dia mais imprudentes no que diz respeito ao trânsito. Não só os motoristas, mas também os pedestres.
Isabela continuou no hospital. Queria esperar até que Tobias acordasse da anestesia e lhe pedir desculpas pessoalmente. A solidariedade da moça era o mínimo diante do episódio.
Ligou para a irmã e pediu ajuda com os esclarecimentos policiais e avisou que só sairia dali quando pudesse conversar com o rapaz.
Tobias já estava consciente e o médico liberou a visita de Isabela. A enfermeira os deixou conversar a sós, após aplicar no rapaz a injeção com o medicamento.
- Perdoe-me! Em lágrimas pediu Isabela.
- Fique calma moça. Eu é quem devo pedir desculpas. Não vi o sinal aberto e distraído acabei atravessando em sua frente.
- Não! A culpa foi minha. Deveria ter prestado mais atenção no cruzamento.
- Já disse para ficar calma. Logo saio daqui e a vida continua numa boa.
- Deixe-me ajudar até o fim de sua recuperação. Eu te peço. Isso fará com que me sinta menos culpada.
- Tudo bem! Se preferir... Pode começar me fazendo companhia aqui no hospital. Não tenho família e nem amigos. Andava solitário pelas ruas da cidade. Talvez esse acidente não tenha acontecido por acaso.
Aquelas palavras tocaram fundo o coração de Isabela. Os olhos brilhantes daquele solitário rapaz lhe despertaram algo além de piedade.
Os dias iam passando e a recuperação de Tobias seguia em constate avanço.
Os médicos lhe deram alta e como estava sem lugar para ficar, Isabela o hospedou em sua casa.
O sentimento entre os dois a cada dia ficava mais forte. Não muito tempo depois já eram grandes amigos e confidentes.
Na noite de aniversário de Tobias, Isabela preparou um jantar para comemorar. O fim foi marcado por um apaixonante beijo.
O sono dos dois foi interrompido pelo “sonhar acordado” da paixão.
Quando amanheceu, Isabela foi ao quarto de Tobias, mas a tristeza a possuiu ao perceber que o rapaz havia deixado sua casa, sem despedida.
Ela o procurou por todos os lugares, mas não foi possível encontrá-lo.
A dor da saudade consumia seu coração.
Muito tempo se passou e como no primeiro encontro, o inesperado aconteceu. Agora, não um acidente, e sim o acaso.
Isabela reconheceu o olhar de Tobias atrás de um balcão num bar da Zona Sul.
Era ele. O jovem que despertou em seu coração o sentimento mais bonito e intenso que podia sentir.
A moça o chamou pelo nome e esse na tentativa de se esconder, disfarçou fingindo não ouvir o que a moça falava.
Foi em vão. Isabela estava certa de que aquele era Tobias e nada a fez desistir do seu amor.
O rapaz já não conseguia disfarçar o sentimento que também estava preso em seu peito e se rendeu aos apelos de Isabela. A beijou como no jantar de aniversário.
Naquele bar, o amor dos dois foi eternizado.
Tobias percebeu que as diferenças sociais que até então ele julgava serem empecilho para o relacionamento dos dois, não era grande o bastante para separá-los diante de um amor tão sincero e verdadeiro.
Karen C.
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