segunda-feira, 23 de maio de 2011

AMARGURADO ENTRE LENÇÓIS

Já passavam das 3 horas da manhã, descamisado, amargurado entre lençóis, o corpo suado como se acordasse de um pesadelo, olhando para o espelho da penteadeira, viu a face desfigurada e aflita.
Era cedo, tomava seu café no mesmo bar de todos os dias, bar frequentado por trabalhadores entediados por mais um dia, em cada gole do forte e quente café que descia em sua garganta, vinha as lembranças daquela mulher.
A traição não saia de sua cabeça, os seus olhos vermelhos de cansaço escondiam por trás de tudo aquilo, uma tomada decisão, lembrava-se do passado, lembrança daquele rosto gracioso, sorriso que dava paz até na hora mais difícil da sua existência.
Ele se perguntava!
Mas repentinamente, mudou a direção da sua rotina, ao encontro da mulher dos seus sonhos, começou a caminhar rápido, cabisbaixo, imaginando o encontro esperado e assim ele foi de repente à lucidez tomou conta do seu ser, parou por alguns segundos e lembrou as pessoas que estavam esperando por ele naquele dia, hesitou alguns segundos e seguiu.
Ao atravessar a cidade, fitou-a na coluna do portão em sua casa e mão que acaricia os longos cabelos castanhos, vestindo longo, vaidosa, perfumada, logo apareceu antes que ele chegasse um homem de terno escuro, muito cuidadoso e educado, aproximou-se e a beijou intimamente.
Ao avistar quem procurava a amargura que tomava conta do seu peito, aquele sentimento desviava-se da imagem encantadora daquela mulher, passavam-se lembranças virtuosas, cenas de gestos de carinhos, mas a presença daquele homem o trouxe para decisão que tomara naquele bar, de aniquilar aquela ao qual foi deixado no altar.
Ele não hesitou em abrir a pasta em que tinha seus pertences, médico respeitado, um cirurgião de renome nacional, pegou um de seus apetrechos e foi em direção a mulher que até há pouco segundos pensava em perdoar, com o primeiro golpe feriu a jugular daquele homem sem rosto, no segundo golpe pegando-a pelo braço, olhando em seus olhos, perfurava suas costas. Ele a deitava em seus braços e apreciava a sua beleza e o fechar de seus olhos.

L. Santos

Um comentário:

  1. O melhor conto que já li, ao ler você imagina todos os cenários da trama e fica imaginando o que poderia acontecer mais...muito bom!!!!
    Helena Carvalho

    ResponderExcluir